O Observatório das Armas da Comissão Nacional Justiça e Paz considera que há um número “excessivo” de armas em circulação, o que “potencia a violência”, por isso promove amanhã uma audição sobre o tema visto de diferentes perspectivas. “Um milhão e quatrocentas mil armas [legais] para uma população de dez milhões de habitantes” e uma estimativa de “entre 40 mil e 60 mil” ilegais são números que o Observatório sobre a Produção, Comércio e Proliferação de Armas Ligeiras indica como “bastantes preocupantes”.
Fernando Roque de Oliveira, da Comissão Nacional Justiça e Paz (organismo laico da Conferência Episcopal), disse que, “embora 80 por cento sejam armas de caça” e as exigências da nova Lei das Armas sejam “adequadas”, as pessoas por vezes são “descuidadas e não têm as armas ao recato”, pelo que se transformam em armas ilegais nas mãos de pessoas que “não estão habilitadas” para o seu manejo. “Achámos que era tempo de fazer um ponto de situação sobre os caminhos que levam à violência e que é potenciada pelo uso das armas”, afirmou.
Fernando Roque Oliveira defendeu que todas as iniciativas de redução e controlo de armas em circulação são bem vindas, indicando que da audição o Observatório espera tirar “pistas” para a sua actuação no futuro.
A audição pública, que decorre a partir das 10h00 de sábado na Fundação Cidade de Lisboa, ao Campo Grande, junta seis perspectivas diferentes sobre as armas e a violência: a das vítimas, a dos agressores, a escola, as forças de segurança, as prisões e a reinserção social. A discussão estará a cargo, entre outros, da presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Joana Marques Vidal, e do intendente Bagina, director do Departamento de Armas e Explosivos da Polícia de Segurança Pública (PSP). Público




