Maioria das vítimas não quer fazer queixa dos netos às autoridades e só pede ajuda para os proteger. Grande parte dos agressores são homens Maria foi bater à porta da sede da APAV, em Lisboa, há cerca de um ano. “Quero que ajudem o meu neto. Ele não está bem, mas eu não quero apresentar queixa na polícia”. A idosa, de 71 anos, tinha hematomas no pescoço e nos braços. Dias antes, Maria tinha sido agredida pelo neto, de 19 anos, quando este lhe tentava extorquir dinheiro. João era toxicodependente e era através da avó que tentava arranjar dinheiro para sustentar o vício. No ano de 2009, a APAV recebeu 22 queixas de agressões de netos a avós. No total – de 2004 a 2009 -, foram 152 as denúncias recebidas pela associação de apoio à vítima. Sendo que foi no ano de 2007 que se registou um “pico” na estatística, com 27 casos conhecidos. “Mas estes números ficam muito aquém da realidade”, explica Daniel Cotrim, da APAV, em declarações ao DN. “Estes idosos têm medo de ficar sozinhos e também de prejudicar os familiares, e, por isso, a larga maioria não diz nada.” As denúncias, essas, partem de vizinhos e de familiares mais afastados, e que não vivem com as vítimas nem com os agressores. Na maioria dos casos, estamos a falar de vítimas com mais de 65 anos, em que os netos agressores são homens com mais de 18 anos. Uma realidade que é “transversal” a todo o País e que também já conhece alguns casos cujas famílias são da classe média alta ou mesmo da alta. [...] Diário de Notícias




