Os deputados estiveram esta terça-feira debaixo de fogo, por não terem ainda conseguido entender-se para corrigirem a lei de 2014 que criminaliza os maus tratos e o abandono dos animais de companhia. Uma lei cujas lacunas, na opinião de vários operadores judiciais, tem permitido que muitos dos que maltratam animais escapem impunes.
A Ordem dos Advogados celebrou o dia do animal com um debate em que estiveram presentes especialistas naquele que já está a tornar-se um novo ramo do direito, o direito animal. “A actual situação leva ao arquivamento dos inquéritos. Depois as pessoas dizem que os tribunais não funcionam. Mas neste caso quem não está a funcionar é a Assembleia da República”, criticou uma das coordenadoras do evento, Alexandra Reis Moreira, para a seguir concordar com a afirmação de um advogado da Madeira que se tem dedicado à defesa dos direitos dos animais nos últimos anos, João Henriques de Freitas: “A legislação em vigor é um exemplo típico de primeiro ano de faculdade de como não fazer uma lei”.
Membro do gabinete da procuradora-geral da República, o jurista Raúl Farias anda há dois anos a elencar publicamente, uma a uma, as deficiências – que vão desde as autoridades entenderem não ter legitimidade para entrarem em domicílios onde se encontrem animais domésticos em perigo, até ao facto de a lei não punir quem mate um bicho sem lhe causar sofrimento prévio – com uma bala na cabeça, por exemplo. A lei não prevê que possam ser realizadas buscas para recolha de animais que estejam a ser alvo de criminalidade.
Todos os dias dois animais são vítimas de maus tratos
Daí que em 2015 não tenham sido mais de três as condenações pelo crime de maus tratos nos tribunais portugueses, apesar de terem sido desencadeadas 1373 investigações. No que ao ano em curso diz respeito o Ministério da Justiça ainda não tem dados sobre as condenações. Já a GNR registou na sua área de intervenção – que exclui os centros urbanos – uma média de onze denúncias de maus tratos por dia entre Janeiro e Agosto de 2016, tendo identificado neste período 494 crimes, ou seja, dois por dia. Artigo completo em Público

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